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Síndrome dos Ovários Policísticos: o que as mulheres precisam saber?

Publicado domingo, 29 de maio de 2016

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A síndrome dos ovários policísticos é uma entidade clínica bastante comum entre as mulheres. É possível que a própria leitora já teve ou sofre com este problema ou, ao menos, conhece alguém próximo que tenha. É da área de atuação não apenas do ginecologista, como também interessa ao dermatologista e ao endocrinologista, em nosso caso específico por conta das alterações hormonais associadas e o que elas podem acarretar no organismo feminino.

É caracterizada pela produção excessiva de hormônios masculinos, conhecidos por andrógenos, pelos ovários. Mais adiante explicaremos algumas teorias que levam os ovários a produzir excessivamente estes hormônios. Os andrógenos, em pequenas quantidades, são importantes para o bem-estar físico da mulher, pois auxiliam na manutenção do desejo sexual, ganho de massa muscular e vigor físico. Entretanto, em excesso seus níveis podem ser prejudiciais.

E o que o excesso de hormônios masculinos pode provocar nas portadoras da síndrome dos ovários policísticos?

A seguir estão listadas as principais manifestações clínicas da síndrome dos ovários policísticos. Lembrando que não é obrigatório que a mulher tenha todos os seguintes achados:

– Ciclos menstruais irregulares e, em alguns casos, até desaparecimento dos ciclos (amenorreia)

– Ausência de ovulação e infertilidade (dificuldade para engravidar)

– Aumento de pelos em áreas típicas masculinas, como tórax, abdômen, coxas, costas, rosto (bigode e barba), etc, situação chamada de hirsutismo.

– Acne (espinhas) e oleosidade excessiva da pele

– Escurecimento da pele em regiões de dobras cutâneas, como axilas, abaixo das mamas, atrás e nas laterais do pescoço, etc (acantose nigricans)

– Aumento do odor axilar

Além disto, a síndrome dos ovários policísticos está associada a doenças potencialmente graves, seja como um possível fator causal ou como um marcador de risco para evoluir com as seguintes situações:

– Diabetes tipo II e intolerância à glicose

– Diminuição nos níveis de colesterol HDL (colesterol “bom”)

– Hiperplasia e câncer de endométrio (camada interna do útero)

A respeito da associação com as doenças acima, é importante destacar que o risco é maior naquelas portadoras da síndrome e que estão acima do peso.

Como diagnosticar?

A síndrome dos ovários policísticos é diagnosticada pela seguinte tríade: quadro clínico compatível com excesso de hormônios masculinos conforme acima explicado, achado ultrassonográfico de ovários policísticos no exame de ultrassom pélvico e níveis elevados de andrógenos detectados pelo exame de sangue.

Para se fechar este diagnóstico, é necessário pelo menos dois dos três critérios acima e a exclusão de outras doenças que podem levar a um quadro clínico semelhante (ex: hirsutismo idiopático, hiperplasia adrenal congênita, tumores de ovário e de adrenal, uso de medicamentos como corticóides, ácido valpróico, etc). Entretanto, a síndrome dos ovários policísticos é disparada a principal causa de excesso de hormônios masculinos nas mulheres. Importante destacar que nem todas as portadoras encontrarão os microcistos ovarianos ao ultrassom, mas nem por isso deixarão de ser suspeitas.

E quais são as causas da síndrome dos ovários policísticos?

Não sabemos exatamente em cada caso o que eleva os níveis de hormônios masculinos, existem várias teorias, as mais conhecidas são:

– Imaturidade do sistema reprodutor, sendo esta situação mais frequente em mulheres mais jovens, que começaram a menstruar há pouco tempo ou mesmo ainda não tiveram a primeira menstruação. Neste caso, há um desbalanço na relação entre hormônios femininos e masculinos formados, com aumento relativo deste último.

– Excesso de peso com predomínio de acúmulo de gordura abdominal, que induz a produção excessiva de insulina, um hormônio responsável por manter os níveis de açúcar no sangue controlados, mas que em excesso alterará a produção de hormônios pelos ovários, induzindo a um aumento na produção de hormônios masculinos. Por isto é mais frequente esta síndrome em mulheres com sobrepeso e obesidade.

– Deficiência de enzimas ovarianas que convertem a testosterona (hormônio masculino) em estrogênio (principal hormônio feminino). Os hormônios femininos são derivados dos hormônios masculinos e, neste caso, a uma falha neste processo de conversão.

– O próprio acumulo de testosterona dentro do ovário relacionado as causas acima explicadas levaria a uma evolução incompleta do folículo ovariano em óvulo maduro. Este folículo ovariano que não amadureceu até o fim (chamado de atrésico) é incapaz de converter hormônio masculino em feminino e se acumulará a cada ciclo nos ovários, criando um círculo vicioso que perpetuará este quadro de excesso de hormônios masculinos. São eles que darão o aspecto de policistos no exame de ultrassom.

Portanto, será mais comum fazermos o diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos em mulheres adultas jovens e adolescentes e que estão acima do peso. Entretanto, alguns casos podem se manter ao longo de boa parte da vida fértil da mulher e também em mulheres com peso adequado.

Como tratar a síndrome dos ovários policísticos?

Conforme já discutimos, é importante para as portadoras da síndrome manterem o peso controlado e seguirem um programa de reeducação alimentar e atividades físicas. Assim como outras situações clínicas já discutidas em nosso blog, essa é mais uma para conta desfavorável de se estar acima do peso.

Primeiramente é necessário saber se a mulher deseja engravidar em breve. Isto porque algumas das medicações dadas para tratar a síndrome dos ovários policísticos podem provocar malformações fetais. A depender da medicação em uso, deve-se aguardar pelo menos 6 meses de suspensão da mesma para planejar a gestação.

No caso de mulheres cuja principal queixa é a infertilidade, utiliza-se medicações que favoreçam a ovulação, como a metformina e o acetato de clomifeno.

Já naquelas em que a principal queixa seja a irregularidade menstrual e as manifestações dermatológicas como excesso de pelos e acne, anticoncepcionais orais são a medicação de primeira escolha. Na grande maioria dos casos o uso exclusivo de pílulas anticoncepcionais já é suficiente para o controle dos sintomas, entretanto a indicação de qual a melhor pílula permanece controversa e deve ser individualizada e deve-se verificar antes se há alguma contraindicação ao seu uso.

Importante destacar que a melhora do excesso de pelos não é imediata e só será mais notada a partir do 6º mês de tratamento, atuando sobre o nascimento do pelo novo. Quanto ao pelo já existente, recomenda-se a depilação mecânica, a laser e uso de cremes como a eflortina, a depender das características de pelo e pele de cada uma.

Entretanto, algumas mulheres não apresentarão resposta satisfatória ao uso exclusivo de anticoncepcionais orais e, nestes casos, pode-se indicar a associação com outra medicação com perfil que antagonize os efeitos dos hormônios masculinos, como a ciproterona, a espironolactona, a metformina e a finasterida.

Obviamente a indicação destas medicações deve ser feita somente por médico com experiência no tratamento da síndrome dos ovários policísticos.

E como última mensagem, o tratamento para ser realmente eficiente e minimizar os riscos de uma recidiva após suspensão das medicações deve ser o mais longo possível, preferencialmente por um período igual ou superior a 2 anos.

 

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