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Prolactina aumentada no sangue: o que significa?

Publicado segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Aumento de prolactina

A prolactina é um hormônio produzido pela hipófise, glândula situada abaixo do cérebro e que produz uma série de outros hormônios que regulam a função de outras glândulas como tireóide, gônadas e suprarrenais. No caso específico da prolactina, ela é a responsável nos mamíferos por aumentar a produção de leite pelas glândulas mamárias após o parto.

Durante a fase de aleitamento materno, este hormônio também exerce efeito inibitório sobre os hormônios sexuais da mãe, o que leva a supressão dos ciclos menstruais, diminuição da fertilidade e da libido neste período, atuando como um método contraceptivo natural (embora não 100% infalível). Durante o aleitamento, esta inibição dos hormônios sexuais é até interessante, visto ser muito provável que uma nova gestação neste momento não seja desejável para a maioria das mulheres. A questão é que existem situações fora da fase de lactação que induzem aumento da prolactina, em ambos os sexos, e que podem trazer repercussões bastante desagradáveis.

O que o aumento da prolactina pode ocasionar?

O excesso de prolactina pode levar a uma série de manifestações clínicas, como galactorréia (que é a saída de leite das mamas – em mulheres que já amamentaram este achado pode não ter tanto significado, mas em homens é altamente sugestivo), diminuição do desejo sexual, da lubrificação vaginal, irregularidade menstrual, impotência, redução do volume ejaculado, alterações de humor, além de ser uma das principais causas de infertilidade tanto em mulheres quanto em homens. Em crianças e adolescentes pode haver atraso de puberdade. Com o passar do tempo, o excesso de prolactina e sua ação inibitória sobre hormônios sexuais femininos e masculinos pode levar à redução progressiva de massa óssea com risco de osteoporose e ganho de peso devido substituição de massa muscular por tecido adiposo.

Quais são as causas de aumento da prolactina?

Com o maior acesso da população a exames laboratoriais, solicitados muitas vezes em exames de rotina por especialistas médicos como ginecologistas e clínicos gerais, tem se descoberto cada vez mais pacientes portadores desta condição e muitos, inclusive, sem qualquer manifestação clínica.

A principal causa em nosso meio de aumento de prolactina está relacionada a tumores de hipófise produtores deste hormônio, os chamados Prolactinomas. De acordo com o Estudo Brasileiro Multicêntrico sobre Hipeprolactinemia, 56,2% dos casos de aumento de prolactina eram devido a estes tumores, na grande maioria de pequenas dimensões (microprolactinomas, tumores com menos de 10 mm de diâmetro confirmados por exame de ressonância magnética ou tomografia computadorizada) e que raramente crescem a ponto de oferecer risco de se expandir sobre estruturas do sistema nervoso ao redor, embora existam casos de grandes lesões que podem levar a sintomas como dores de cabeça persistentes e progressivas e compressão de nervo óptico com perda de campo visual.

A segunda principal causa de aumento de prolactina em nosso meio, respondendo por cerca de 14,6% dos casos, está relacionada ao uso de medicamentos que aumentam o nível deste hormônio, principalmente fármacos psicotrópicos como ansiolíticos e antidepressivos (fluoxetina, paroxetina, alprazolam, amitriptilina, etc), antipsicóticos/ neurolépticos (haloperidol, clorpromazina, risperidona, tioridazida, etc), anticonvulsivantes (fenitoína, ácido valpróico), além de alguns anti-hipertensivos, medicamentos para gastrite e refluxo gastroesofágico, estrógeno (dos anticoncepcionais e de reposição hormonal na menopausa), maconha, opióides, etc. Portanto, antes de se chegar a qualquer conclusão diagnóstica, devemos verificar se não é o uso destas medicações que poderia estar interferindo na análise destes resultados. Muitas vezes, inclusive, por conta do risco de suspensão do uso destes remédios e por não haver uma droga substituta ideal (por exemplo, em muitos pacientes com quadros psiquiátricos mais graves), o diagnóstico acaba sendo presumido e assume-se o risco de manter os níveis de prolactina elevados.

Outras doenças podem provocar elevação da prolactina como no hipotireoidismo mal controlado e existem situações em que o hormônio está aumentado, porém de maneira assintomática ou minimamente sintomática, como em uma entidade clínica chamada de macroprolactinemia, onde as moléculas de prolactina “grudam” umas nas outras formando moléculas gigantes (polímeros), que nos ensaios laboratoriais dão diagnóstico falso-positivo de aumento de prolactina.

Embora controverso, deve-se dosar a prolactina com o paciente em repouso de pelo menos 30 minutos e evitar coleta deste hormônio durante a fase de lactação, após ato sexual recente, noites mal dormidas, com piercing em mamilos, em vigência de episódios de dor de qualquer origem, etc, pois são outros fatores que podem elevar a prolactina sem configurar uma doença na glândula hipófise.

Como tratar o aumento da prolactina?

Nos casos relacionados a tumores de hipófise (Prolactinomas), o tratamento é com uso de medicamentos que tem a função de tanto baixar os níveis destes hormônios e tratar os sintomas, como de reduzir e tornar o tumor indetectável nos exames de imagem, que seriam os objetivos terapêuticos. A droga de escolha na grande maioria dos casos e disponível em nosso país é a Cabergolina, sendo a Bromocriptina uma medicação de segunda escolha, por ser menos eficaz e apresentar mais efeitos colaterais. Muito raramente a cirurgia será o tratamento de escolha, a grande maioria dos pacientes responderá muito bem ao uso do medicamento, mesmo nos casos de grandes tumores.

Entretanto, como dissemos antes, é necessário afastar primeiro outras causas que possam elevar os níveis de prolactina, como uso de medicamentos que alterem seus níveis e de macroprolactinemia, por exemplo. É comum encontrarmos pacientes sendo tratados como Prolactinoma e a real causa não ser esta. Profissionais não habituados a tratar esta entidade descobrem através de exames de imagem pequenos nódulos de hipófise, completamente assintomáticos, de evolução benigna e que não produzem hormônios, e muitas vezes acabam por confundir este com um tumor produtor de prolactina, sem checar antes outras causas que poderiam elevar a taxa deste hormônio. Se possível, procuramos substituir a medicação que eleva a prolactina por outra sem este efeito.

Portanto, prolactina aumentada no sangue deverá ser acompanhada por médico endocrinologista, pois este é o profissional mais qualificado para compreender as reais causas desta elevação e de oferecer o tratamento mais adequado.

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