Medicamentos para obesidade: por que são tão rejeitados?

3 de setembro de 2020

É muito comum na minha prática clínica eu me deparar com a seguinte situação:

paciente obeso, que apresenta complicações como pressão alta, diabetes, dores na coluna etc., e precisa emagrecer. Tentou várias dietas, atividades físicas e não perde peso. Nesse momento ofereço tratamento medicamentoso e eis que ele responde:

“Doutor, eu não vou tomar esse remédio aí!” e conclui com um “é perigoso”, “vou engordar tudo de novo quando parar” ou “dessa vez vou conseguir sozinho!”.

O curioso é que muitas vezes esse mesmo paciente pode estar com uma pressão de 180×100 e aceitar sem discutir uma receita de remédio para hipertensão, como se não houvesse relação entre a obesidade e o aumento da pressão.

Por que os medicamentos para perda de peso são tão estigmatizados? Poucos são os que perdem peso com auxílio desses fármacos que admitem seu uso para amigos e familiares, parecem até que usam uma droga ilícita.

Há várias razões, mas a principal é que a obesidade ainda não é reconhecida por muitos como uma doença, mas como uma escolha pessoal. Basta força de vontade que você conseguirá emagrecer, ignorando o fato de que há uma série de alterações hormonais, neuroquímicas, ambientais e genéticas por detrás do excesso de peso.

Mas existem outros motivos para essa rejeição, alguns até válidos e outros nem tanto, como medo dos efeitos colaterais ou de ficar dependente, banalização para apenas fins estéticos por pessoas que não precisariam usar, histórico de proibição de medicamentos por efeitos adversos graves, preconceito de médicos de outras especialidades que não entendem como a doença se desenvolve, entre outros. Por isso é tão importante que o paciente procure um especialista que saiba lidar com essas questões.

Em resumo, medicamentos para excesso de peso não fazem milagres e só devem ser prescritos em conjunto com reeducação alimentar e atividades físicas, mas são importantes armas no combate a essa doença complexa que pode levar a outras doenças graves e incapacitantes.

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